Apenas Uma Fã - Parte 7

31 de Março de 2014 musiknonstop Contos Eróticos 1658

Reportagem especial (UOL)
Dona de Casa revela na Internet: A pílula milagrosa que curou a disfunção erétil do MARIDÃO pra sempre! Ler matéria




O
último dia é chegado! Ela muito ansiosa, acorda bem mais cedo do que ele.
Pensativa, toma um longo banho! Estava uma fria manhã, então resolve vestir uma
roupa mais quentinha. Calça jeans, camisa também jeans com detalhes floridos, e
uma blusa de kashmir cor gelo, que comprou em uma liquidação em uma loja
indiana na Vila Madalena; uma sapatilha bico fino, com uma abertura que deixava
parte de seus delicados pés à mostra, em mesmo tom da blusa. De acessórios: um
anel super gracinha, com um pequeno e delicado coração, todo em ouro; e a mesma
corrente e pingente do show de ontem. Seria seu último dia em Oxford! Mesmo em
dúvida com muitas coisas, queria muito fazer-se marcante e impressionar J.! No cabelo, resolve fazer um look
mais trabalhado: parte solto e parte preso em uma coroa de tranças. Perfuma-se!
De maquiagem apenas um batom cor de boca.



Segue
para o quarto! Termina de arrumar as malas, sem fazer muito barulho, para não
acordá-lo. Pede o café da manhã como pediu nos dias anteriores. Encerra sua
conta. E muito ansiosa, fica esperando que ele acorde, pensando em tudo que
vivera nesses últimos dias. Lembrando dos maravilhosos shows que pode ver! Do
delicioso jantar com seus amigos. De quando saíram para dançar, na noite de
Oxford. Dos momentos deliciosos de prazer que tiveram juntos! E por fim, do
desejo tão intensamente retribuído por ele! Já sentia viva a saudade em seu
corpo; que fazia-a ter vontade de não voltar! Mas sabe que é preciso! As férias
estavam terminando e ela não teria como se manter financeiramente por muito
tempo! Estava tão distraída sentada no sofá, com seus pensamentos, que nem se
dá conta de que ele acordou.



Good morning my sweet! Linda como
sempre! – diz ele beijando-lhe brevemente a boca. – Em que pensava tão
compenetrada? Em mim, aposto um beijo.”



Good morning my dear…! Ai…Ai… Pensava
que tenho de voltar para casa! Pagar minhas contas! Aturar meu chefe! Meu
trabalho maçante... Foi mal!! Acho que acordei meio assim hoje! E você, tudo
bem? Percebi que não dormiu bem! Estava inquieto à noite.”



“Tive
um sonho ruim, mas não foi nada demais, logo senti uma calma! Um calor gostoso
no peito. E passou.”



“Que
bom! Pedi o café, vamos?”



“Sim.”



Eles
sentam-se à mesa. E sem saber muito que dizer um ao outro, degustam sem muita
pressa, pela última vez, aquele maravilho café da manhã!



“Mais
uma vez obrigado! Estava tudo delicioso! A que horas vai pegar o trem? Pensei
em ir agora, deixar as coisas em casa e buscar o EP! Volto logo para fazermos
alguma coisa antes de partir! Que acha?”



“Posso
pegar o trem até às 18h com folga. Gostei de sua  idéia.” - diz M. um tanto receosa



Ele
troca de roupa. Joga uma água rápida no rosto. Pega suas coisas e diz:



“Então
até mais! Tentarei não me demorar!”



Quando
chegava a porta é surpreendido por M.



“Não
poderia deixar ir sem antes...” – diz ela puxando-o pela gola da camisa, abraçando-o
muito forte junto a seu corpo, acariciando seus macios cabelos e beijando-lhe
ardentemente. 



Ele,
por sua vez, larga suas coisas ao chão, retribui beijando-a e a abraçando ainda
mais intensamente! Com suas ágeis mãos que já percorriam todo seu corpo!



“Preciso
ir my sweet! Não se preocupe, eu
volto logo!”



“Eu
sei... Mas não pude resistir. Precisava sentir meus lábios colados aos seus
mais uma vez! Jamais esquecerei seus deliciosos beijos.”



Despedem-se!
Ele pega a van e segue para sua casa! Ela espera alguns minutos. Liga para a
recepção, pede para buscarem suas malas e chamarem um táxi. Escreve um rápido
bilhete, coloca em um envelope, beija-o, perfuma-o e deixa na recepção. Pega suas
malas de mão e parte rumo à estação de trem! Decidida, achou melhor assim, sem
despedidas! Segue o trajeto a admirar atentamente, pela última vez, a bela
paisagem, como se quisesse gravá-la em sua memória para sempre. E assim embarca
no primeiro trem rumo a Londres! 



No caminho para casa, J. liga o rádio, tocava ‘Absolute Beginners’ do maravilhoso
cantor David Bowie, de quem gosta
muito! Som esse que era muito familiar aos seus ouvidos! Mas desta vez,
parecia-lhe diferente, algo nele estava mudando! Antes, ao escutar ‘I absolutely love you’,  pensava no peso, nos deveres e obrigações que
essa frase carregava! Agora, provocava-lhe suspiros, leveza e muita ansiedade!!
Pensativo, ouve a música com mais atenção, e ao se deparar com ‘As long as you're still smiling’,
suspira gostoso, com um leve sorriso ao rosto, instintivamente lembrando-se de M. e de seu contagiante sorriso!



There's nothing more I need?” – canta ele pensando em voz alta, sem
se dar muita conta do que disse!



Enquanto isso, M. no trem pega seu Ipad, pensa em ligar algum som, mas não
queria ouvir as músicas dele. Olha rapidamente algumas pastas, resolve deixar
tocando a trilha sonora de ‘Diários de Motocicleta’ e outras instrumentais de Gustavo Santaollala de quem gosta muito!
Perguntava-se se o que tinha feito era realmente o mais certo e o que ele iria
pensar de sua atitude. Mais uma vez intempestiva! A velocidade do trem, a
belíssima paisagem passando na janela, aquele violão tocado de maneira tão
intensa a emocionavam ainda mais, fazendo com que lágrimas rolassem de seus
belos olhos. Lembra-se de cada momento que passara junto de  seu
Lord
e como seria sua vida agora, sem a presença dele! 



Ele passa para buscar o
EP e segue para casa. Chegando, por sorte, encontra seus companheiros. O guitarrista
que não morava com eles havia passado para buscar umas coisas e já estava indo
embora.



“Oi pessoal!”



“Nossa! Achei que nem
viria para casa! Não é hoje que M.
volta para o Brasil?” – surpreso pergunta o batera.



“Bom vou indo nessa.
Depois falamos com mais calma J.,
estou atrasado” – diz o guitarrista.



“Pode esperar um
minuto? Sorte que peguei vocês em casa! Que cabeça a minha, nem lembrei-me de
fazer isso antes! Queria retribuir M.
por ela ter me ajudado tanto esses dias! Só ontem me disse que gostaria de
ganhar um. Ela embarca hoje às 22h em Londres, acho que dará tempo para
fazermos alguma coisa antes! Daqui vou direto para o hotel.” – diz J. um tanto confuso e muito agitado.



“Calma lá Mate. Mais devagar! Tomou alguma coisa
logo cedo?? Lembrar do quê? E ganhar o quê? Só entendi a parte que ela embarca
às 22h!” – diz o guitarrista muito sério.



“Esse ai está cada dia
pior! Não falo mais nada. Ainda bem que não temos mais shows marcados por
enquanto! Acho bom você fazer um check up
completo.” – diz o batera.



“Desculpem! Não sei o
que tem acontecido comigo! Estou numa ansiedade! Vamos começar de novo! Trouxe
um ep para todos assinarem! Vou dar de presente a M. E ela está me esperado no hotel. Ufaaaaa. Consegui!”



“Ah agora sim. Entendemos
tudo!” – diz o guitarrista.



Todos assinam. E ele
sai às pressas. O guitarrista o acompanha e diz:



“Também vou para
aqueles lados. Pode me dar uma carona? Mas eu prefiro ir dirigindo, assim você
vai se acalmando.”



“Ok. Obrigado! Acho que
estou precisando mesmo! Vou aceitar. Quero ver se ainda damos uma volta pela
cidade antes de ela pegar o trem!”



“Boa!”



O guitarrista sugere
alguns lugares para levar M. e um
deles passaria bem próximo de onde ele teria de ir! Então, pergunta se poderia
esperar na van e seguir junto, J. fala
que sem problemas e que adorou as sugestões. Chegam ao hotel, ele caminha
apressado rumo ao elevador. Sobe, e diante da porta do quarto, toca a
campainha. Nada. Insiste algumas vezes achando que ela talvez estivesse no
banho! Sem resultados! Resolve ir até a recepção.



“Olá, gostaria de falar
com o quarto 501.”



“O quarto 501 foi
desocupado. A moça que estava hospedada entregou as chaves há mais ou menos uma
hora.”



Ele, desnorteado, não
sabe o que dizer, quando são interrompidos por uma recepcionista que diz:



“Olá, por um acaso o
senhor é o J.?”



“Sim sou eu. Por quê?”
- diz ele sem entender nada.



“Ela deixou um bilhete
em seu nome.”



Ele pega o bilhete e
segue para a van. Entra, bate a porta e fica olhando o envelope em choque e
calado!



“E ai cadê a M.?? Ela não vem? Aconteceu alguma
coisa? Está pálido!



“Não sei de mais nada!
Ela entregou as chaves! E só deixou esse bilhete! Foi por isso! Foi por isso!
Agora estou entendendo aquele arroubo antes de eu sair! Como pode fazer isso
comigo!”



“Nossa! Que coisa chata
Mate! E agora o que vai fazer?”



“Não sei! Antes de eu
sair, quando estava na porta, ela me agarrou. Foi tão estranho, não foi como
das outras vezes. Ali naquele momento, foi uma despedida e só agora eu percebi!
Ela dizia gostar tanto de mim! Ontem, me disse cantarolando que sempre estaria
aqui... Vai entender as mulheres! Eu desisto!! Nem mesmo lendo toda a biografia
de Virginia Wolf.”



“Tenso! Não sei o que
dizer... Vamos, eu te deixo em casa. Você toma um banho, come alguma coisa e
descansa!”



“Pode ser... Na volta
para casa, estava ouvindo rádio, tocava ‘Absolute
Beginners
’, há tempos uma letra não fazia tanto sentido para mim! Realmente
não sei que o que pensar! Se ela estivesse no hotel agora, eu pediria para
ficar!”



“Faz o que te falei e
descansa essa noite! Depois com a cabeça fria e mais calmo você pensa. Acho que
o que te vou dizer vai deixar-te mais confuso, mas eu preciso. Tive uma
conversa rápida com ela, por telefone, quando ficou doente. O jeito que ela
falou comigo sobre você era de alguém muito apaixonada!”



“Olha só! Está vendo!!
E agora o que devo pensar! Nunca nenhuma namorada minha foi tão atenciosa e ao
mesmo tempo tão... Tenho até vergonha de dizer! É melhor eu ir para casa mesmo!
Mas posso dirigir na boa e levo-te antes.”



“Não vai abrir o
bilhete? Vai ficar bem mesmo sozinho? Posso desmarcar meu compromisso.”



“De que vai adiantar
abrir agora! Você tem compromisso e ponto! Vou ficar bem! Vamos logo. Depois
vejo isso!”



Ele deixa seu
companheiro de banda e segue para casa! Por sorte estava tudo calmo. Ninguém em
casa! Ele segue para a cozinha, pega um copo serve-se de wisky e toma em um
gole só. Depois, pega na geladeira uma garrafa de cerveja, volta à sala, liga o
som, e joga-se no sofá. Quando ia dar o primeiro gole lembra-se que M. sempre dizia para ele maneirar. Pega
o bilhete, sente o perfume. Segura-o com as mãos tremulas e muito receoso de
ela ter escrito coisas que o desagradassem! Repara na letra tão caprichada do
envelope – From: M. Best regards to: J. – Finalmente o abre e assim começa a
ler:



Dear Lord,



I’m so sorry! Acho que mais
uma vez agi de forma impulsiva. Mas, foi melhor assim, sem despedidas! Eu tenho
minha vida no Brasil, tinha de voltar! E você tem sua carreira, shows, whatever… Mas não pense que me esqueci das próximas férias! Vamos
marcar! E também não me esqueci do meu ep, devidamente autografado! Se puder
mande pelo correio. Ficarei muito grata de recebê-lo. Segue abaixo meu
endereço.



Ps.
Ainda preciso aprender a usar essas azas. Quem sabe um dia ainda treinemos
juntos...



Much
Love!! Luisa
.” 



Abre a
cerveja, pensa que não deveria, mas bebe um longo gole. Muito tocado, não se
contém e deixa-se levar pela emoção! Era uma das poucas vezes, mesmo sozinho,
que demonstrava de forma tão escancarada seus sentimentos. Ela havia realmente
mexido com ele! Aos poucos, foi conquistando aquele sério e tão controlado
inglês! Ele, que já vinha de um período de dúvidas e incertezas, não sabia o
que pensar! Acha que o melhor seria jogar tudo para o alto, temporariamente, e
tirar umas férias mais que merecidas de final de turnê na casa de seu pai. Toma
mais um gole, deita-se no sofá e ao som ‘How
to disappear completely
’ da banda Radiohead, adormece.





I'm
not here



This
isn't happening


Já em
Londres, Luisa liga para sua mãe para avisar que chegou bem e para confirmar os
horários. Deixa suas malas na estação. Como teria algumas horas ainda, resolve
dar uma volta pela cidade. Queria muito passar na calçada do Abbey Road, ver de
longe o Palácio e comer alguma coisa rápida. 
A cidade era belíssima, de uma arquitetura maravilhosa, muito verde, com
pequenas e aconchegantes praças. Mas ela não estava conseguindo se concentrar
no passeio. As horas pareciam dias, o tempo parecia ter congelado, era como se
algo estivesse fora do seu normal. Ela pára em uma pequena praça e fica
admirando a beleza à sua volta. Quando senta-se a seu lado, no banco, um senhor
aparentando bem mais de setenta anos, que pergunta-lhe as horas.  Ela prontamente responde e escuta de volta:



“Obrigado.
Meu filho vive reclamando que nunca sei as horas! Mas também... Eu tive um
relógio muito bom, antigo, presente de minha esposa! Mas, no exato dia em que
seu coração parou, ele resolveu fazer o mesmo, genioso, o pobre. Acho que era ela
que o mantinha sempre certinho! Nunca mais funcionou.”



“Nossa que linda
história! Mas sinto por sua esposa. Posso perguntar há quanto tempo?”



“Ah... faz dez anos que
não uso mais relógio. Para mim, basta saber quando é dia e quando é noite!
Acordo com os passarinhos e durmo após o anoitecer! E venho todas as tardes
aqui, como costumávamos vir juntos antes do chá, para namorar! Casa grande com
filhos e netos..”



“Nossa, faz tempo!
Posso perguntar-lhe se conheceu alguém depois dela? Ou pensou em conhecer?” 



“Pergunte o que quiser!
Como pode ver ainda sou bem elegante! Tenho que confessar que não faltaram
opções. Mas, nenhuma soube regular meu relógio, como minha doce Grace. Preferi
ficar só com meus filhos e netos. Sou feliz. Mas não posso negar que aguardo, ansioso,
o dia que possamos nos ver de novo. E você, tão bela moça, que faz aqui
desacompanhada? ”



“Obrigada. Estou
fazendo hora para meu vôo. Vim de uma pequena viagem a Oxford. Estou voltando
para meu país, o Brasil.”



“Ah Oxford, cidade tão romântica,
perfeita para se viver um grande amor. Passamos umas férias lá. Suas
bibliotecas e igrejas são belíssimas. E os restaurantes, deliciosos, de uma
culinária singular. Pelo que vejo em seus olhos não está nem um pouco feliz em
voltar? Acertei?”



“Difícil de explicar! É
uma longa história, que não vale a pena lembrar! Só vim para ver alguns shows!
E no Brasil tenho compromissos me esperando!”



“Que pena! Aposto que,
sendo bonita e simpática como parece ser, deve ter deixado saudades por lá. Não
sei o quanto conheceu de nossa cultura, espero que não tenha achado que nós,
ingleses, somos um povo sério e frio, como costumam dizer. Apenas temos certa
dificuldade em demonstrar nossos sentimentos e demoramos um pouco mais a
confiar nas pessoas. Mas depois que passamos disso tudo, somos excelentes
amigos. Espero que meu discurso a faça querer voltar mais vezes!”



“Acho que, mesmo em tão
pouco tempo, pude comprovar o que me disse. Seu discurso foi bem convincente!
Pode anotar que um dia, voltarei.”



“Fico contente! Bom,
tenho de ir. Obrigado por ouvir esses resmungos de um velho apaixonado. E
também não acredite se disserem que não gostamos de um belo sorriso!
Alegre-se!”



“Obrigada! Estava
realmente precisando me distrair. Tive que viajar às pressas e estava um tanto
desanimada mesmo! Conseguiu deixar-me mais feliz. Sou jornalista, se importaria
se eu contasse sua história e o que me disse sobre os ingleses em alguma
matéria minha?”



“Nós, quando ficamos
mais experientes gostamos de contar nossas histórias e ensinar o que sabemos a
vocês mais jovens. Só lamento poucos estarem dispostos a ouvir! Ficarei
contente em saber que as passou adiante!”



Ela pega um caderninho
anota o nome e idade do senhor e de sua esposa. Saindo da praça resolve ir
comer alguma coisa. Pára em um café, olha para a vitrine sem muita vontade, tudo
parecia tão sem cor e graça. Escolhe um croissant com uma cara melhorzinha. Como
estava frio, resolve pedir um chocolate quente, tamanho gigante. Mas, dessa vez,
come apressada, engolindo sem muito querer! Como se nada tivesse muito gosto.
Depois segue rumo ao aeroporto e fica à espera do horário de seu vôo.



Em Oxford, já era quase
madrugada, quando chega o batera  junto
com o tecladista e um ex companheiro de banda. Vêem que J. dormia profundamente todo torto no sofá e à sua volta algumas
garrafas de cerveja. Resolvem acordá-lo.



Hey Mate acorda! Está todo desconfortável ai no sofá. Vai dormir na
cama.” – diz seu ex-companheiro de banda e amigo, tocando de leve em seu ombro.



Ele sobe as escadas, ainda
zonzo de sono e da bebida. Arranca seus coturnos e joga-se na cama sem trocar
de roupa. Encolhendo-se e envolvendo-se na coberta. Na sala, seus companheiros
e amigos se questionavam tentando descobrir o que teria acontecido. 



“Precisava ver hoje de
tarde, ele veio trazer um ep para
autografarmos, antes de sua fã ir embora. Nunca vi o J. tão atrapalhado. Acho que essa garota, você a não conheceu,
conseguiu mexer com ele!”



“Falamos rápido pelo facebook outro dia. Ele me contou sobre ela,
fiquei animado, há tempos não ouvia-o falar de garotas com tanto entusiasmo!
Mas alguma coisa deve ter dado errado. Uma pena!” – diz o ex-companheiro deles.



“Sabe que impliquei
muito com ela no começo! Acho que foi porque não estou acostumado com uma
pessoa estranha junto em turnê. Embora, também confesse que senti um pouco de
ciúmes. Depois fui me acostumando. E ela ajudou muito em alguns momentos
difíceis com ele! Uma pena mesmo.”



Eles continuam a
conversa, madrugada adentro, enquanto J.
dormia. Na manhã seguinte, acorda muito cedo, com dor de cabeça e o corpo todo
dolorido. Espreguiça-se desajeitado na cama, tateando-a como se procurasse por ela.
A ausência de Luisa o incomodava e aos poucos vai se recordando de tudo.
Levanta-se. Joga uma água no rosto e desce. Bebe uns dois copos de água. Faz um
chá e toma com uma grande caneca de leite. Seus companheiros de banda ainda
dormiam. Era uma manhã gelada. Ele volta para a cama sem ânimo, liga a teve e
deixa em um canal de música. Não conseguindo ater-se a nenhuma, mas ao mesmo
tempo, todas, de alguma forma, lembravam Luisa. Saudoso, fica pensando em como
os deliciosos cafés da manhã, que tomaram juntos, iriam fazer falta. E
lembrava-se dos momentos, de quando distraída fazia, algo único, o que a
deixava ainda mais bela. A todo o instante perguntava-se o porquê de ela ter
partido, assim dessa forma.



“Ela conseguiu
deixar-me louco! Prendeu-me a cada detalhe seu. Como pude me deixar levar.
Confiei tanto nela e deu nisso! Eu, que sempre fui tão comedido! Mas também...
ela me ajudou... Seus tão deliciosos toques faziam-me esquecer de tudo. Até em
minha guitarra eu a deixei tocar... Isso não vai ficar assim!! Ah não vai!”



Pensava tão
compenetrado que demora a perceber que seu telefone tocava. Quando estava quase
caindo, ele por fim atende.



“A...lô...”



“Oi J.!! Quantas saudades, filho! Como está?? Pela sua voz não está
nada bem!”



“Oi mãe... É mais ou
menos...”



“Seu colega guitarrista
me ligou. Está muito preocupado com você! Disse que tem estado estressado
demais, ficou doente e quase cancelaram um show. Vem para casa! Conversamos... Estou
com muitas saudades! Depois você poderia ir uns dias para casa de seu pai, que
acha?”



“Também estou com muitas saudades mãe! Acho
que foi stress mesmo, tive uma dor na coluna e um pouco de febre. Tivemos que
remarcar um show. Mas, por sorte, conheci uma fã nossa que estava de ferias
aqui e, como iria ficar uns dias, me deu uma força! Agora estou bem melhor!
Também tenho me alimentado bem! Isso ajuda não é? Enfim, mas não se preocupe.”



“Você sabe que mãe sempre
se preocupa. Mas só de ouvir você dizer que está bem, fico mais aliviada. E contente
em saber que pode contar com as pessoas! Boa alimentação é fundamental!! Mas
mesmo assim vem, você não tem shows por esses dias, não é?”



Ele realmente não teria
shows marcados por hora e havia pensado em ir para casa de seu pai. Mas, ouvir
sua mãe dizer isso, foi como se acendesse uma chama dentro de si! Então, pensa
na única coisa que fazia sentido a ele naquele momento: ir para o Brasil!
Assim, muito atrapalhado diz:



“Mãe, eu havia pensado
nisso, mas não vou poder ir agora! Tenho um compromisso inadiável! Acho que o
mais importante da minha vida! Terei de fazer uma viagem! Quando chegar lá eu te
ligo!! Mas, mais uma no worry! I’m great!! E em breve terei ótimas
noticias, espero! Tenho que ir!!”



Ela, um tanto
preocupada e muito sem entender a agitação repentina, despede-se. Ele em seguida,
liga para a companhia aérea, e por sorte consegue trocar umas milhas.
Conseguiria vôo para daqui a dois dias, por conta da desistência de um
passageiro de última hora. Liga para
a ferroviária e reserva um ticket. Ansioso, anda de um lado para outro do
quarto, pensando em tudo o que teria que providenciar. Pega papel e caneta e
anota:


Checar passaporte



Ver hotéis



Saber o tempo de viagem



Pesquisar o clima



Ver roupas adequadas



Pesquisar comida local



Olhar endereços de restaurantes



Pesquisar pontos turísticos



Saber sobre agenda de shows


Liga
o computador e assim começa sua importante pesquisa. Checa o clima. Pesquisa
hotéis e restaurantes próximos à casa de Luisa. Reserva um que lhe pareceu
adequado e anota alguns restaurantes que achou interessantes. Busca saber o que
é costume de se comer no Brasil. Não queria ter surpresas com o tipo de comida,
que talvez fosse um tanto exótica e também queria poder demonstrar seus
conhecimentos gastronômicos à Luisa. Nesse momento, seus colegas estavam
acordando, passam pela porta de seu quarto curiosos com o barulho e a
movimentação estranha. Perguntam-se o que estaria acontecendo, e descem para
tomar café. Ele abre seu guarda roupas e olha atentamente suas roupas vendo se
havia algo que precisasse comprar. Era março, portanto, ainda verão no Brasil.
Lembra-se de que Luisa comentou do forte calor, pensa no sol e acha que seria
bom um chapéu e algumas bermudas. Um delicioso aroma que vinha da cozinha,
invade seu quarto, e ele resolve ver o que estavam fazendo. Desce apressado as
escadas e muito sorridente diz:



Good afternoon!! Belo dia! Que estão
fazendo de bom?”



Good
afternoon
!? Café eu acho! Não está vendo? Nossa, que bicho te
mordeu! Ontem estava um trapo, todo chateado e hoje dando pulos de alegria!
Acho bom você cuidar dessa sua bipolaridade e urgente! Ficamos ontem até tarde
jogando conversa fora! Nosso ex-colega de banda esteve aqui conosco. Às vezes,
é bom não ter nada para fazer. Essa brecha na turnê vai ser ótima para
descansar!” – diz o batera.



“É
mesmo, se vai ser. Acho que vou passar uns dias na casa dos meus pais, estou
devendo isso a eles há meses! – diz o tecladista.



“Estou
contente porque só hoje realmente dei-me conta dessa folga!! Veio na hora certa!
Estou precisando organizar umas coisas e colocar minha cabeça no lugar. Não
quero perder um minuto sequer! Resolvi viajar! Vou agora de tarde fazer umas
compras e embarco amanhã de noite!”



“Olha
só que bom! Fico contente com sua animação! E se resolver esses seus
destemperos, melhor ainda! Quanto tempo vai ficar fora?” – completa o batera.



“Ainda
não sei! Bom, só vim anunciar as novas! Vou me arrumar e sair às compras! Ainda
tenho muito que fazer.”



Ele sobe, troca de roupa e logo sai! Já pensando onde teria de
ir. Passa na farmácia, compra protetor solar e outras produtos de higiene
pessoal. Seu segundo destino, a loja de roupas: precisava de umas bermudas
novas. Compra algumas, mais clássicas, pouco abaixo do joelho. Por sorte, se
depara com uma charmosa, mas nada exagerada boina, que combinaria perfeitamente
com seu visual. Resolve levá-la. Passando por uma loja de calçados avista na
vitrine um tênis Vans, cano curto, texturizado em tom de cinza e cadarços em
marrom. Bom para climas mais quentes e que combinaria com as bermudas.
Terminado as compras mais urgentes, fica pensando que deveria levar um presente
para Luisa, teria de ser algo muito especial, Pensa que uma jóia seria perfeito.
Lembra-se da loja onde comprou uma pulseira de aniversário para sua mãe.
Chegando, muito desajeitado, não sabe muito o que escolher, então explica a
situação a uma vendedora que lhe mostra algumas opções, mas nada estava agradando.
Ele queria algo muito especial! Quando vira-se de lado, de relance, olha para um
anel de prata, em estilo rústico, com desenhos muito delicados, de uma trama de
videiras com pequenos cristais incrustados. Cheio de detalhes, muito delicado e
moderno, assim como Luisa. Acaba gastando um pouco mais do que pretendia, mas a
ocasião merecia! Passa em uma lojinha de presentes e compra um delicado
envelope feito em tecido bordado. Cheio de sacolas, mas muito contente com as
compras bem sucedidas, segue direto para casa. Mas no caminho, encontra seu ex
companheiro de banda sentado à mesa em um pub junto a seu guitarrista.



Hi Mate!! Estávamos justamente falando
de você. Ontem fiquei preocupado. Como está? Hoje parece outra pessoa!” – diz
seu ex companheiro,



“Nossa
é mesmo! Que aconteceu? Ontem estava para morrer por conta de M. Não estou entendendo mais nada!” –
diz o guitarrista.



I’m great!! Só hoje realmente dei-me
conta da brecha em nossa turnê! Resolvi viajar! A viagem mais importante de
minha vida! Olha só o que ela fez comigo... Nem eu estou me reconhecendo.”



“Nunca
o vi tão atrapalhado desse jeito! Conta logo que vai fazer?? Estou começando a
ficar preocupado.” – Diz seu colega encostando em sua testa para ver se tinha
febre.



“Não
estou doente... Ou melhor, estou! Estou sim e muito! Não consigo pensar em
outra coisa que não seja em Luisa! Nunca pensei que diria isso: ‘Cause you are my medicine/Whenshecloseto me’,
não vou conseguir sem ela! Vou para o Brasil! Ainda não sei no que vai dar. Mas
vou tentar.”



“O
caso realmente é grave! Está citando até Gorilaz.
Olha só, até que enfim alguém descongelou isso ai que você chama de coração!
Fico muito contente por você, Mate!
Mas vê se não vai ficar mais convencido do que já é!” – diz o guitarrista.



“Olha
só boas novas!! Fico muito feliz! Vai ver o quanto é bom ter uma companhia! E
não pense que prender-se a alguém é ruim! Quando achamos a pessoa certa, nunca
será prisão! Boa sorte my friend!”



“E
quando volta? Não esqueceu que você tem uma banda, não é?!”



“Ainda não sei quando
volto! Mas fique tranquilo, jamais largaria a música, por nada! Até porque é o meu
sustento, de que viveríamos? Bom, vou indo, ainda tenho muito que arrumar e meu
vôo sai amanhã a noite.”



Ele, apresado, retoma
seu caminho. Mas, passando na porta de uma perfumaria, vê aquele creme de rosas
igual o que Luisa havia comprado e resolve levar. Chegando em casa, seus
colegas estavam na sala com alguns amigos ouvindo música. Assim que o vêem
chegar cheio de sacolas, o batera diz:



“Nossa até parece que
vai viajar por mesesr! Quantas sacolas!”



“Que nada! Apenas
comprei umas coisinhas úteis para a viagem. No fim, aproveitei uma promoção,
acabei comprando um tênis que estava com preço ótimo. Naquela loja que
compramos uma vez. Recomendo darem uma passadinha lá. Bom, vou subir e terminar
de arrumar as coisas para ficar livre disso.”



Luisa já havia chegado e
estava em sua casa. Apesar de tudo, a conversa animada que havia tido com
aquele senhor inglês, a havia feito pensar em coisas boas, e deixado-a menos
chateada. Assim conseguiu descansar na viagem! Tantas coisas para arrumar,
roupas para lavar, outras para guardar. Separar as lembrancinhas que comprou
para família e amigos. Pesar em que iria comer! Mesmo ainda muito pensativa em J. e na viagem, por sorte, teria um dia
cheio, assim ocuparia a mente! Resolve antes de qualquer coisa, passar no
supermercado, que não ficava muito longe de casa. Compra pães, leite, ovos,
frios, frutas, salada e alguns congelados práticos. Por fim, um delicioso
vinho. Não estava com vontade de cozinhar e ainda estava cansada da viagem.
Quando na volta para casa, passando na porta de uma padaria olha na vitrine uma
bela torta cheese cake, não consegue deixar de pensar, lembrando-se ser o doce
favorito de J. Ela pensa: – Ele
sempre comia com tanta vontade, nessas horas parecia criança, chegava a
repetir. – Tenta passar batido, sem muito sucesso! A lembrança dos dias que
passaram juntos ainda se fazia muito presente. Chegando em casa, Marcela estava
a porta de seu prédio a esperando.



“Oi Lú!! Nem para
avisar que chegou! Sua mãe me disse, vim correndo!” – diz Marcela como se nem estivem
brigadas.



“Oi Marcela... Unpf! Cheguei
de manhã, ainda nem arrumei as cosias, estou cansada da viagem, mas tive fazer compras,
não tinha nada para comer. Eu ia te ligar mais tarde com calma. Mas já que veio,
sobe. Vamos conversando enquanto arrumo as compras.” – diz Luisa numa boa. Mas,
no fundo, preferindo que conversassem em outro momento.



Elas sobem. Quando
entram, tocava seu telefone. Era sua mãe para avisar que havia dito para
Marcela que ela já havia chegado. Tarde demais. Elas seguem para a cozinha e
começam a conversar enquanto Luisa guarda as compras.



“Não falamos mais
depois daquele dia, fiquei preocupada sabia! Ai, desculpe amiga, às vezes eu
exagero! Queria muito vir te pedir 
pessoalmente!”



“Desculpas aceitas! Mas
é mesmo, você exagera! Eu não estava aqui no Brasil, e muito menos ao lado de
casa! Era a viagem da minha vida! Aconteceram tantas coisas! Por isso também
fiquei tão nervosa, me desculpe também!”



“Claro que desculpo!!
Imagina se eu ficaria brigada com minha melhor amiga!! E ai conta tudo! Quero
saber os mínimos detalhes. Achei que nem fosse voltar mais! E esquecer a gente
por aqui. Do jeito que falou aquele dia, realmente fiquei preocupada! Nunca te
vi falar daquele jeito!”



“Ah então, eu tinha de
voltar, não é? Com um aperto no coração, mas... Vinha juntando grana para essa
viagem ha tempos, mas fiquei em bons hotéis, comprei umas roupas, enfim a fonte
já estava secando. Também acredita que meu chefe ficou ligando para minha mãe.
Um chato! Só porque não respondi aos seus emails e nem atendi às suas ligações,
pode?!”



“Como assim, amiga?
Você tem compromissos, sabia?! Enfim, quem sabe da sua vida profissional é
você, ainda vai acabar perdendo esse excelente emprego. E não se esqueça que
fui eu que te indiquei! Depois pega mal para quem?”



“Ah é assim! Você
indicou, mas acho que eu tenho competência, senão ele não estaria louco atrás
de mim! Por isso voltei, mas eu ainda estou de férias, elas acabam no fim dessa
semana. E quer saber, estou muito descontente! Não faço o que realmente gosto!
Estou vendo que ainda vou acabar na coluna de fofocas!! Já pensou ter que ficar
cobrindo aqueles eventos super bregas, com ricaços sem noção!! Nãooooo. Seria a
morte... Ah deixa para lá! Hoje não estou uma boa companhia!”



“Eu bem que gostaria de
ir numa festa dessas!! Quem sabe não descolava um gatinho com muita grana,
parava de trabalhar, ia só curtir a vida! Ah, mas você sabe que não falo sério!
Enfim. E ai como ficou lá com o J? Me conta tudo! Pela sua cara, não ficou tudo
bem, acertei?”



“Não ficou. Eu vim
embora sem me despedir, achei melhor assim. Ele queria me levar até a
ferroviária e eu não deixei. Foi como você disse, eu tenho minha vida e ele a
dele. Uma vez, ele disse que meu sentimento era apenas um delírio de uma fã. E
que um dia ainda iria apaixonar-me por outro! É quem sabe... O jeito agora é
não pensar! O que convenhamos, vai ser difícil. Passamos muito tempo juntos,
saímos para dançar, jantamos, almoçamos, cafés da manhã no quarto... Enfim...”



“Só isso? Não rolou mais nada depois daquele dia? Se é
que rolou aquele dia! Ficaram esses dias todos e nada? O cara é gay por acaso?”



“Nossa acho que consegui
o par perfeito para você! Pena que ele tem namorada, mas acho que você não se
importa com isso, não é? O baterista dele. A competição de quem é mais sem
noção entre vocês é foda!”



“Namoro à distância, tô
fora! Pelo menos é gato? Você não pensa que vai fugir! Não respondeu minhas
perguntas.”



“Como só tinha olhos
para o J., posso te mostrar fotos, ai
você tira suas conclusões. Mas vou adiantar que é bem capaz de você achar
interessante. Quem sabe nas nossas próximas férias você vai comigo, te
apresento.”



“Humm! Se for gatinho
aceito!”



“E quanto a sua
resposta é: ‘Rolou’! Tiveram outras.
Mas a última vez em Oxford, foi tão especial, depois do show. Ele foi tão
atencioso.”



“Lá vem você com
romantismos...!”



“Deixa eu terminar!! Você
perguntou, mão perguntou?! Eu sei que você é tarada mesmo, gosta de ouvir os
mínimos detalhes, assim como gosta de contar, mas... Não pense que não conto
por não confiar em você, é que foram momentos tão nossos, e ele é muito
discreto quanto à isso, além do mais, eu sou fã e ele, um músico conhecido, não
acho certo eu contar. Posso dizer que foram momentos tão bons, intensos,
gostosos. Não tinha cobrança, não demos nomes, não havia regras. Acho que pela
primeira vez fui eu mesma e ao mesmo tempo usada, sem  me preocupar no que ele iria pensar. Enfim...
Sentirei muito sua falta!”



“Nossa Lú! Nunca te vi
falar assim! Ele realmente mexeu com você! Pena que, justo quando você achou um
chato para chamar de seu, deu nisso! Acho que não temos mesmo, sorte para o
amor.“



“Ah não sei. Mas foi
muito bom enquanto durou! Vamos para o meu quarto comprei umas lembrancinhas.”



Voltando à Oxford, ele
já havia arrumando tudo. As malas já prontas, documentos separados, fazia a última
checagem para ver se não havia se esquecido de nada. O dia passou voando e só
agora ele se deu conta de que não havia comido nada! Apenas tinha tomado aquela
xícara de leite de manhã. Ele desce, abre a geladeira e vê que ainda tinha
algumas coisas que Luisa havia comprado. Seria a salvação. Prepara um macarrão
rápido com alguns legumes e muito curry. Come com muita fome e vontade.
Terminado, lava seu prato e deixa a cozinha mais ou menos arrumada. O dia foi
puxado, estranho e cheio de emoções, então resolve ir dormir cedo. Mas antes,
segue para um banho longo. Agasalha-se bem, pois fazia uma noite fria! Deita-se
na cama e, sentindo falta dos braços de Luisa junto aos seus, abraça um dos
travesseiros e logo adormece.



No apartamento de
Luisa, elas pedem uma pizza e ficam conversando mais um pouco. Mas logo Marcela
diz que tem de ir, pois teria de trabalhar amanhã cedo. Ficaram conversando
tanto que Luisa nem conseguiu terminar de arrumar suas coisas. Mas, por conta
da viagem e do fuso horário estava cansada, então resolve deixar para amanhã. Toma
um banho rápido e cama! Deita-se, liga um pouco a teve, vira-se de um lado a outro como se não achasse posição. Tenta
não pensar, mas sentia falta dele ao seu lado na cama. Ainda agitada, mas muito
cansada, pega no sono com a teve
ligada.



Na manhã seguinte, J. acorda muito cedo, espreguiça-se
deliciosamente na cama, suspirando gostoso, pensando que hoje seria o começo de
algo totalmente novo. O inesperado o aguardava de braços abertos, mas dessa vez,
sem se cobrar tanto e com muita determinação, ele resolvera enfrentá-lo. Levanta-se,
joga uma água rápida no rosto, veste uma bela roupa e segue para a cozinha.
Prepara um delicioso café, com frutas, sucos, pães, ovos, leite etc... A
ansiedade e o dia anterior sem se alimentar bem, deram-lhe muita fome. Come com
muita vontade, mas degustando cada prato e sentindo cada sabor. Assim, bem
alimentado e com uma animação que há muito não se via, pega sua bike, liga um
som em seu celular e sai para dar uma volta. A manhã estava fria, mas o dia
estava bonito. O sol ensaiava em sair entre a copa das árvores, trazendo alguns
leves feixes de luz às folhas, emprestando ainda mais cor e beleza àquela
idílica cena! As pedaladas davam-lhe uma sensação de liberdade tão boa, traziam
energia e o faziam meditar sobre a vida. Tudo que ele estava precisando para
começar bem o dia. Animado, segue pedalando até um parque próximo, e aproveita
para admirar a beleza da natureza à sua volta, os casais apaixonados, os idosos
passeando com seus cachorros com seus cachorros. Tudo parecia ter ganho mais
cor, alegria e vida. Pedala por mais alguns minutos e volta para casa. Há tempos não se sentia tão bem. Chegando em
casa, o baterista estava acordando e ainda com cara de muito sono diz:



“Acordou com as
galinhas hoje? Ohhhh.... Nem te ouvi sair. Quanta animação!! Gostaria de saber
que milagre anda acontecendo?”



“Nada demais. Apenas
dei-me conta de que podemos dar cor à nossa vida! Ela não precisa ser em preto
e branco! Acordei com uma vontade de pedalar hoje e está fazendo um lindo dia.
Aposto que vocês começariam bem melhor o dia se fizessem o mesmo!”



“Madrugar? Eu? Tô fora.
Não sei como consegue!”



“Ainda tinha algumas coisas
que Luiza comprou. Deixei o café pronto.”



“Luisa? Quem?!” diz o
batera sem entender nada.



“Esqueci de comentar:
Luisa é o nome de M. O M. é apelido. Enfim...”



Enquanto isso, no
Brasil, Luisa acorda zonza de sono. Estava ainda cansada, com dor de cabeça, dores
no corpo e arrepios de febre. As horas de viagem, os dias de muita emoção e a
despedida intempestiva, abateram-lhe. Não tinha vontade de levantar-se. Fica
mais um pouco na cama, quando escuta barulhos vindos da cozinha. Não estava com
ânimo para receber ninguém, mas por conta da indisposição, agradeceu. Era sua
mãe, que saudosa em vê-la, trazia
algumas comidinhas, pensando que ela não havia tido tempo de comprar. Ela,
vendo que Luisa ainda não havia se levantado, segue para o quarto de sua filha.



“Oi querida! Ainda na
cama essa hora? O que foi? Não está se sentindo bem?”



“Oi mãe...! Saudades!
Que bom que veio! É, não estou me sentido bem! Acho que agora bateu o cansaço
da viagem... Mas, nada que um dia de descanso não resolva! Também a sem noção
da Marcela veio aqui ontem. Eu precisava conversar com ela, queria resolver
aquele lance da briga, mas estava
cansada. Enfim. Tão bom te ver mãe.” – diz Luisa dando-lhe um forte abraço.



“Tão bom estar com a
minha filhinha! Faz tempo que não passamos o dia juntas! De vez em quando é bom
mimar um pouquinho. Vou preparar um café e você me conta da viagem. Podemos
depois almoçar juntas e ver algum filme à tarde. Que acha?”



“Vou adorar mãe!
Realmente estou precisando de carinho e atenção hoje.”



Sua mãe vai para a
cozinha, prepara um chá, um sanduíche leve, um suco, algumas frutas e leva em
uma bandeja para o quarto. Luisa vai até o banheiro, joga uma água no rosto e
volta para a cama.



“E ai filha me conta
como foi a viagem? Coração de mãe não se engana! Aconteceu alguma coisa que não
quer me contar? Hà tempos não te vejo assim tão abatida.”



“A viagem foi ótima! Conheci
tantos lugares maravilhosos!! Cada um com seu charme! Mas Oxford me conquistou:
linda, aconchegante e tão romântica. Jamais esquecerei. Os shows também foram
maravilhosos. Os rapazes da banda são muito legais. Eu me diverti muito! Em Londres,
consegui uma bela história que pode me render uma boa matéria.” – diz Luisa não
querendo demonstrar-se muito emocionada e tentando distrair sua mãe.



“Estou vendo que está querendo
disfarçar alguma coisa, não sei bem o quê, mas está! Se não quiser dividir
comigo, sou sua mãe, e vou tentar entender, mas acho que deveria! Já tive sua idade
e vivi muitas coisas, quem sabe posso ajudar.” – diz ela um pouco mais séria e
tentando convencer Luisa.



“Mãe, nem sei por onde
começar. Estou procurando não pensar, mas... Lembra que te contei do J., o vocalista da banda. Ah...Ele é um
gato, tão atencioso e tão talentoso... É todo tímido e sério, mas no palco se
transforma. Toca guitarra de olhos fechados, ai... ai... com tanta emoção e
suas mãos são tão habilidosas. E o jeito dele cantar é tão envolvente, as
feições de seu belo rosto são de tanto prazer e sua voz é tão doce... Mesmo tímido, dança tão gostoso... Ele se fez
marcante em cada pequeno detalhe da minha viagem, mesmo sem perceber!”



‘Querida!! Não me
lembro de ter ouvido você falar assim de ninguém! Bem que eu estranhei quando
disse que ele ficou com você no hotel. Mas, aconteceu alguma coisa entre vocês,
em tão pouco tempo?”



“Bem, eu já tinha um
sentimento pelo J. de muito antes da
viagem. Fiquei hospedada no mesmo hotel deles, no primeiro show. Assim pude
conhecê-lo pessoalmente e acabamos ficando juntos. Nunca imaginei que ele fosse
retribuir minha afeição. Mas, acho que, como não estava em uma fase muito legal,
fui boa companhia.”



“Olha só, minha filha
apaixonada! Fico muito contente. Ultimamente só te ouvia falar de trabalho.
Mas, depois te tudo, como ficou com ele?”



“Não ficou... Sempre
que eu, mais séria, tentava falar de meus sentimentos, ele fugia do assunto! Vida
de músico em turnê não é fácil! Acho que por isso ele tenha receio de se
prender a alguém! E eu tinha que voltar, o dinheiro que guardei já estava acabando.
Agora é tentar não pensar. Ele a vida dele e eu a minha. E como ele disse um
dia: ‘esse seu sentimento é apenas um delírio de fã, um dia vai conhecer outro
e se apaixonar. ’. Enfim...”



“Ah que dó, minha
filhinha sofrendo por amor, e pela primeira vez. Agora, imagino que ainda deva estar
sentindo muito, até por isso a indisposição, mas, vai ver, logo passa. E vai acabar
conhecendo alguém bacana. Aposto que em seu trabalho deve ter contato com muita
gente legal. Alguma ainda vai despertar sua atenção.”



“É, tomara mãe! Mas, ele ainda está muito presente em meus
pensamentos... Ai.. Ai... Valeu pelo café da manhã! Não sei que seria de mim se
não tivesse vindo! Acho que estaria ainda na cama e sem comer. Nada como
um colinho de mãe de vez em quando.”



“Nada como te mimar um
pouquinho. Vem aqui.” – diz ela abraçando gostosamente Luisa.



Em Oxford J. já estava com tudo arrumado e aguardando
o horário de sua partida! Sentia emoções
nunca antes percebidas e de formas tão ardorosas. Andava de um lado a outro da
casa! Arrumava e desarrumava algumas coisas, mesmo que desnecessariamente. Checava
tudo para ver se não esqueceu-se de nada, muitas vezes. Seu colega de banda
percebendo diz:



“Se ansiedade matasse,
você já estaria mortinho há horas! Parece até que vai casar! Está acontecendo
alguma coisa que eu não sei? Sossega! Bebe isso.” – diz seu baterista
entregando-lhe um copo a mão.



“O que é tem ai?”



“Chá de cogumelos da Nova Guiné. Vai te acalmar!”



“Como?”



Just a joke! É whisky.”



Ele aceita e toma um
longo gole.



“Acontecendo? Acho que
nem eu sei! Deve ser só ansiedade pela viagem! Não vejo a hora de embarcar em
Londres. Acho que só assim vou relaxar. E tomara que eu consiga dormir um pouco
durante o vôo.”



“Nossa! Quanto
mistério! Nem falo mais nada. Quando quiser me contar estarei aqui.”



“Valeu. Na hora certa.
Na hora certa. Bom, acho que vou indo nessa, assim chego com calma na estação
de trem.”



Ele sobe pega as malas,
despede-se, muito seguro de sua atitude, assim partindo rumo a estação de trem.
Chama um taxi. Como era cedo queria ir curtindo o trajeto, pede que ele não
tenha pressa. Segue o caminho a admirar a bela cidade e lembrando-se de
momentos bons que viveu ali. Fica pensando em sua vida e como seria daqui por
diante. Percebe-se assustado com que estava por vir! Mas muito decidido de ir
em frente. O percurso de trem não era longo. Chegando rápido à Londres. Segue direto
rumo ao aeroporto e fica aguardando o horário de seu vôo.



No apartamento de
Luiza, ela assistia teve e pensando que amanhã seria mais um dia sem o J.! Nada demais a fazer, apenas arrumar
a bagagem e levar algumas roupas, o que a deixaria ocupada. Havia tido um dia
muito agradável com sua mãe, passaram a tarde juntas, como haviam combinado.
Mas, logo anoitecendo, sua mãe foi para casa. Luisa conseguira descansar
bastante e se alimentar bem, mas ainda sentia que precisava dormir. Assim vira-se
de lado, suspira pensativa, abraça gostoso seu travesseiro de corpo,
companheiro de suas noites solitárias e logo pega no sono. Já no vôo, J. muito agitado, mas muito cansado,
resolve tentar tirar um cochilo. Queria descansar ao máximo.

Continua.




Reportagem especial (UOL)
Dona de Casa revela na Internet: A pílula milagrosa que curou a disfunção erétil do MARIDÃO pra sempre! Ler matéria

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